Agro

    Bioinseticidas Microbianos Não-Vivos [2026]

    Bioinseticidas microbianos não-vivos como spinosad e afidopiropen combatem pulgões e mosca-branca onde o Bt falha, com estabilidade superior e sem refrigeração.

    Biorreator industrial de fermentação microbiana para produção de metabólitos inseticidas como spinosad em laboratório agroindustrial
    O spinosad e as avermectinas são produzidos por fermentação microbiana industrial; o produto final não contém células vivas
    Agro14 min de leitura

    O mercado brasileiro de bioinsumos atingiu R$ 6,2 bilhões em 2025, crescendo 15,2% ao ano segundo a CropLife Brasil. Desse total, bioinseticidas respondem por 35% do valor, aproximadamente R$ 2,17 bilhões. Ao percorrer as prateleiras das agropecuárias, porém, o produtor de hortaliças encontra um paradoxo: a maior parte dos produtos biológicos é baseada em Bt (Bacillus thuringiensis) ou em fungos entomopatogênicos. E nenhum deles age nos dois maiores vilões de uma estufa de folhosas: pulgões e mosca-branca.

    Em 10 de junho de 2026, a Bayer CropScience anunciou parceria com a Aphea.Bio, empresa belga especializada em metabólitos microbianos bioativos, para desenvolver uma nova classe de bioinseticidas que combina "os benefícios das soluções biológicas com a durabilidade e praticidade de produtos não-vivos". O anúncio foi coberto, até agora, apenas em inglês.

    Este artigo é o primeiro em português a explicar o que são os bioinseticidas microbianos não-vivos, por que eles importam para horticultura e hidroponia, e o que já está disponível para o produtor brasileiro, enquanto a próxima geração aguarda registro.

    O que é um bioinseticida microbiano não-vivo?

    Um bioinseticida microbiano não-vivo é um produto fitossanitário cujo ingrediente ativo consiste em metabólitos, enzimas ou toxinas isolados de microrganismos, sem que nenhum organismo vivo esteja presente na formulação final.

    Biorreator industrial de fermentação microbiana para produção de metabólitos inseticidas como spinosad em laboratório agroindustrial
    O spinosad e as avermectinas são produzidos por fermentação microbiana industrial; o produto final não contém células vivas

    A distinção parece sutil, mas é operacionalmente profunda. Compare os dois tipos:

    CaracterísticaBiológico vivo (Bt, Beauveria)Metabólito microbiano (spinosad)
    Princípio ativoOrganismo vivo (esporo, bactéria)Molécula purificada por fermentação
    Necessita de refrigeraçãoSim (2–8 °C na maioria)Não (temperatura ambiente)
    Shelf-lifeSemanas a poucos mesesMeses a anos
    Estabilidade UVBaixa (Bt: meia-vida de 7,97 h ao sol)Alta a moderada
    Precisa germinar ou se multiplicarSimNão
    Compatível com fertirrigaçãoDependente da formulaçãoGeralmente sim
    Aceito em orgânico certificadoSim (se registrado)Sim (spinosad, abamectina)

    A revisão de Prabhu, Poorniammal e Dufossé (Metabolites, 2025) identifica cinco classes estruturais de metabólitos secundários microbianos com atividade inseticida comprovada: terpenoides, fenólicos, compostos nitrogenados (alcaloides), peptídeos e policetídeos. Segundo Vermelho et al. (Plants, 2024), "55% dos biopesticidas vendidos mundialmente são de origem microbiana," mas a grande maioria ainda depende de organismos vivos.

    A transição para metabólitos isolados replica o modelo da indústria farmacêutica: fermentar uma cepa, extrair e purificar o composto de interesse, e formular uma molécula estável com dose-resposta previsível. O produto final se comporta operacionalmente como um insumo convencional (estabilidade, shelf-life longo, sem cadeia de frio), mas tem origem microbiana, aceito em programas orgânicos e com perfil toxicológico favorável.

    O spinosad é o exemplo mais antigo e bem-sucedido: produzido pela fermentação de Saccharopolyspora spinosa, o princípio ativo extraído (spinosinas A e D) não contém nenhuma célula viva no produto final. É, simultaneamente, de origem biológica e não-vivo. Esse equívoco conceitual persiste nos materiais de divulgação agropecuária no Brasil, onde spinosad e Bt são tratados como "o mesmo tipo de biológico."

    O calcanhar de Aquiles do Bt

    O Bacillus thuringiensis domina o mercado de bioinseticidas microbianos com 75% a 95% das vendas, segundo Vermelho et al. (2024). Para lagartas mastigadoras, o Bt é eficiente: as toxinas Cry se dissolvem no intestino médio alcalino dos lepidópteros, perfuram o epitélio intestinal e matam o inseto em 24 a 72 horas. O problema começa quando o produtor de hortaliças enfrenta pulgões e mosca-branca.

    O gap dos insetos sugadores

    Pulgões e mosca-branca alimentam-se com um estilete fino, penetrando diretamente no floema da planta para sugar seiva. Eles não ingerem material sólido e o pH do intestino é distinto do alcalino das lagartas mastigadoras. As toxinas Cry simplesmente não chegam ao alvo. Por isso, o Bt é categoricamente ineficaz contra Myzus persicae (pulgão-verde), Aphis gossypii (pulgão-do-algodão), Bemisia tabaci (mosca-branca) e Frankliniella occidentalis (trips) em estágios de alimentação.

    Resistência documentada no Brasil

    O cenário piora com registros de resistência em campo. Pesquisa publicada no PMC em 2019 documentou populações de Plutella xylostella (traça-das-crucíferas) resistentes ao Bt no Brasil, com mutações nos transportadores ABC que eliminam a ligação das toxinas Cry1Ac ao epitélio intestinal. Populações resistentes de Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho) também foram registradas no país. O que antes era preocupação futura tornou-se pressão de seleção presente.

    Degradação pelo sol

    Formulações de Bt expostas ao sol perdem mais de 55% da concentração ativa em 8 horas, com meias-vidas medidas de 7,97 e 6,31 horas em condições de campo, conforme estudo do EJBPC/Springeropen (2018). Em estufa coberta, a degradação UV é parcialmente atenuada pelas telas, mas a necessidade de reaplicações frequentes e o shelf-life restrito permanecem como limitações operacionais.

    O resultado prático é que o Bt precisa de reaplicação constante, exige cadeia de frio e não resolve os problemas fitossanitários mais comuns nos sistemas hidropônicos de hortaliças, precisamente porque os insetos predominantes nesse ambiente são sugadores de seiva.

    Spinosad, avermectinas e afidopiropen: a família que já existe

    Enquanto a próxima geração ainda está em desenvolvimento, três metabólitos microbianos já foram transformados em produtos com histórico comprovado em horticultura. Dois estão registrados no Brasil. O terceiro está disponível em outros países e deve chegar ao MAPA nos próximos anos.

    Colônia de pulgões em folha de alface em sistema NFT hidropônico, praga principal que metabólitos como abamectina e afidopiropen controlam
    Pulgões em bancadas NFT são a principal limitação do Bt e o alvo central dos metabólitos microbianos de nova geração

    Spinosad: o modelo que prova o conceito

    Spinosad é um policetídeo macrolídeo produzido pela fermentação de Saccharopolyspora spinosa, uma actinobactéria descoberta no solo em 1982. O princípio ativo (spinosinas A e D) ativa receptores nicotínicos de acetilcolina e bloqueia canais GABA nos insetos, causando paralisia e morte em 24 a 48 horas.

    No Brasil, está registrado como Tracer e Spintor para diversas culturas hortícolas. Segundo a Precedence Research (2025), o mercado global de spinosad atingiu US$ 651 milhões em 2025 e deve chegar a US$ 1,26 bilhão em 2033 (CAGR de 8,56%). É aceito em programas de certificação orgânica em vários países, incluindo o Brasil, quando aplicado dentro das doses registradas.

    Limitação importante: trips já desenvolveram resistência ao spinosad em populações de vários países. Essa pressão de seleção é um dos motivos pelos quais a indústria está investindo na próxima geração de metabólitos.

    Avermectinas: eficazes em pulgões e ácaros

    As avermectinas são macrolídeos lactônicos produzidos pela fermentação de Streptomyces avermitilis. Agem bloqueando canais de cloreto dependentes de GABA, causando paralisia flácida. No Brasil, a abamectina (Vertimec, Affirm) é amplamente utilizada contra pulgões, ácaros e mosca-branca em hortaliças.

    A diferença em relação ao Bt é clara: abamectina age em insetos sugadores de seiva, tornando-a muito mais relevante para a maioria dos problemas fitossanitários de estufas de folhosas e cultivos hidropônicos.

    Afidopiropen: o representante da nova geração disponível fora do Brasil

    Afidopiropen é um metabólito semi-sintético derivado do pyripyropene A, um policetídeo produzido por Penicillium coprobium. A BASF o comercializa sob a marca Inscalis® nos EUA, Índia, China e Austrália para controle de pulgões e mosca-branca.

    O diferencial técnico está no mecanismo de ação: afidopiropen modula canais TRPV (transient receptor potential vanilloid) no órgão cordotonal dos insetos, uma estrutura mecanorreceptora presente nas patas e antenas. A disrupção desse órgão sensorial causa perda de coordenação motora, impossibilidade de alimentação e morte em 2 a 5 dias. A ação não é imediata porque o produto interrompe o comportamento alimentar antes de matar o inseto.

    "Afidopiropen demonstrou LC90 de 0,0068 ppm contra Myzus persicae, mais de 60 vezes mais potente que seu precursor pyripyropene A bruto." Horikoshi et al. Scientific Reports (2022)

    O mecanismo TRPV não tem resistência cruzada com organofosforados, piretroides ou Bt. Isso torna o afidopiropen uma opção valiosa em programas de manejo de resistência. Até julho de 2026, o status de registro no MAPA não foi confirmado publicamente.

    A tabela a seguir compara os metabólitos disponíveis e em desenvolvimento:

    MetabólitoOrigem microbianaAlvo principalMecanismoStatus no BR
    SpinosadSaccharopolyspora spinosaTrips, lagartas, dípterosNicotínico + GABARegistrado (Tracer, Spintor)
    AbamectinaStreptomyces avermitilisPulgões, ácaros, mosca-brancaCanal GABARegistrado (Vertimec)
    AfidopiropenPenicillium coprobiumPulgões, mosca-branca (Hemípteros)Canal TRPV, órgão cordotonalRegistrado EUA/Índia; status BR indefinido
    Lipopeptídeos (B. velezensis)Bacillus velezensisPulgõesGástrico, inibe AChE e GSTPesquisa pré-comercial
    Plataforma Aphea.BioCepas não divulgadasInsetos sugadoresNão divulgadoValidação de campo (jun/2026)

    A parceria Bayer-Aphea.Bio e o que ela sinaliza

    Em 10 de junho de 2026, a Aphea.Bio anunciou parceria com a Bayer CropScience para co-desenvolvimento de bioinseticidas baseados em metabólitos bioativos extraídos de cepas microbianas selecionadas. O anúncio foi coberto pela AgNavigator como um dos movimentos mais significativos do setor de biológicos em 2026 e não teve cobertura em português até a publicação deste artigo.

    A proposta da Aphea.Bio é distinta dos biológicos tradicionais. A empresa não formula esporos nem organismos vivos. Em vez disso, realiza triagem de "milhares de cepas microbianas" para identificar aquelas que produzem metabólitos com atividade inseticida contra insetos sugadores, extrai, purifica e formula esses compostos como moléculas estáveis. O produto final, nas palavras da própria empresa, "combina os benefícios das soluções biológicas com a praticidade e durabilidade de produtos não-vivos."

    O alvo inicial são insetos sugadores em culturas frutícolas. A expansão para hortaliças depende dos resultados de validação de campo em curso.

    O que ainda NÃO existe (julho de 2026): Nenhum produto da plataforma Aphea.Bio tem registro em qualquer país. A tecnologia está em fase de validação de campo e engajamento regulatório inicial. Não há prazo de lançamento comercial divulgado. Afidopiropen (Inscalis®/BASF) está registrado nos EUA, na Índia e na Austrália, mas o status no MAPA não foi confirmado até esta data.

    O significado estratégico da parceria vai além do produto em si. Quando a Bayer, com experiência global em registro regulatório e rede de distribuição consolidada, aposta em metabólitos microbianos para insetos sugadores, está sinalizando que o mercado considera essa classe tecnológica o próximo degrau do controle biológico. A FMC também ampliou investimentos em plataformas de fermentação natural para culturas especiais em fevereiro de 2026, e a BASF abriu nova planta industrial de biológicos em Ludwigshafen em 2025. A convergência de grandes players reduz o risco de que esses produtos fiquem restritos ao ambiente acadêmico.

    Por que esses bioinseticidas importam para hidroponia e CEA?

    Produtores que operam sistemas NFT ou DFT de hidroponia sabem que pulgões e mosca-branca são ameaças recorrentes, especialmente em estufas fechadas onde o ambiente favorece colônias densas. Em cultivos em ambiente controlado (CEA), a pressão por produtos com menor impacto sobre polinizadores e inimigos naturais é ainda maior, pois muitos produtores trabalham com liberação de vespinhas e joaninhas para controle biológico. Os metabólitos microbianos têm cinco vantagens práticas que os tornam particularmente adequados para esses sistemas.

    Produtor com equipamento de proteção aplicando bioinseticida microbiano em bancada hidropônica de folhosas em estufa protegida
    A estabilidade dos metabólitos microbianos dispensa refrigeração e simplifica a logística de aplicação em estufas de hortaliças comerciais

    1. Sem intervalo de entrada obrigatório ou com IEA mínimo

    Após aplicação de spinosad ou abamectina dentro das doses registradas, os produtores podem retornar ao ambiente muito mais rapidamente do que com inseticidas sintéticos de classe toxicológica mais elevada. Isso reduz a interrupção das operações de manejo em bancadas hidropônicas de ciclo intensivo.

    2. Compatibilidade com fertirrigação

    Compostos como abamectina podem ser aplicados via pulverização foliar sem risco de desequilíbrio químico na solução nutritiva. Ao contrário de fungos como Beauveria bassiana, que precisam de condições ambientais específicas para germinar, metabólitos estáveis não dependem de umidade relativa ou temperatura para agir.

    3. Sem necessidade de cadeia de frio

    Este é o ponto mais relevante para pequenos produtores. Bt e Beauveria exigem armazenamento entre 2 e 8 °C e têm prazo de validade de semanas a poucos meses. Spinosad e abamectina ficam ativos por um a dois anos armazenados em local fresco e seco. Para um produtor sem câmara fria, a logística simplificada tem impacto direto no custo operacional.

    4. Estabilidade em estufas com alta temperatura

    Em estufas de plástico com temperaturas acima de 30 °C no verão, formulações de organismos vivos perdem atividade mais rapidamente. Metabólitos purificados apresentam perfil de estabilidade superior nessas condições.

    5. Seletividade para inimigos naturais e polinizadores

    Segundo Horikoshi et al. (2022), afidopiropen demonstrou baixo impacto em inimigos naturais e abelhas nas doses de campo testadas. Spinosad tem impacto moderado em abelhas e deve ser aplicado fora do horário de polinização. Em geral, metabólitos microbianos oferecem perfil de seletividade mais favorável que organofosforados e piretroides de amplo espectro.

    Comparação com alternativas fúngicas disponíveis

    O Lalguard Java (Cordyceps javanica), registrado para mosca-branca em janeiro de 2023 segundo a Embrapa, é um fungo entomopatogênico vivo. Representa um avanço real para mosca-branca, mas exige armazenamento controlado e eficácia dependente de umidade relativa acima de 70%. Os metabólitos microbianos não-vivos virão preencher a lacuna de praticidade que produtos fúngicos vivos ainda não resolvem completamente em estufas de baixa umidade ou em regiões com logística refrigerada limitada.

    O ecossistema brasileiro: pesquisa, empresas e regulação

    O Brasil não é apenas um mercado consumidor de bioinseticidas de metabólitos microbianos. É também produtor de pesquisa relevante nesse campo.

    Pesquisa universitária e Embrapa

    A Esalq-USP (Piracicaba/SP) abriga o Centro Sparcbio, financiado pela FAPESP, com pesquisadores como Ítalo Delalibera Jr. e José Roberto Parra dedicados ao controle biológico de pulgões e à triagem de lipopeptídeos bacterianos com atividade inseticida. A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP), com a equipe de Itamar Soares de Melo e Rodrigo Mendes, identificou em novembro de 2025 uma substância inédita de fungo endofítico com atividade promissora para novos bioinsumos. A Embrapa Hortaliças (Brasília/DF) mantém programa de MIP específico para horticultura, incluindo controle biológico de mosca-branca e pulgões.

    Segundo a Revista Pesquisa FAPESP, 580 empresas atuam no segmento de bioinsumos no Brasil. O setor cresce 15,2% ao ano, criando demanda crescente por biotecnólogos e engenheiros agrônomos especializados em controle biológico e fermentação industrial.

    No lado empresarial, Lallemand Plant Care (Lalguard Java), Koppert (parceira da Sparcbio/Esalq), Biotrop (adquirida pela Biobest em 2023) e Biocontrole são as principais referências nacionais em bioinseticidas, embora ainda centradas em organismos vivos. BASF, Bayer, Syngenta e FMC expandem times de P&D em biologicals no Brasil, sinalizando que o mercado local será alvo das próximas gerações de produtos.

    Marco regulatório: a Lei 15.070/2024

    A Lei 15.070/2024 (Marco dos Bioinsumos), sancionada em dezembro de 2024, inclui explicitamente "metabólitos" no escopo de bioinsumos e prevê registro simplificado para produtos de baixo risco. A Portaria SDA/MAPA 1.270/2025 detalhou os procedimentos regulatórios.

    Há uma ambiguidade relevante para a nova geração de produtos: ainda não está definido se um metabólito microbiano inseticida de nova geração (como os da plataforma Aphea.Bio) seria categorizado como bioinsumo pela Lei 15.070 ou como agrotóxico biológico pela Lei 7.802/1989. Essa definição influencia o custo e o prazo do registro. Para o produtor, o que importa é que o marco foi desenhado para acelerar o acesso a produtos dessa classe.

    O MAPA registrou 162 bioinsumos em 2025, recorde histórico, sinalizando que o ambiente regulatório está mais favorável do que em qualquer momento anterior.

    O que esperar até 2030

    TendênciaDescriçãoTimeline estimado
    Afidopiropen (Inscalis®) no BrasilSucesso comprovado nos EUA, Índia e Austrália; provável movimento de registro MAPA2026–2028
    Plataforma Aphea.Bio+BayerEm validação de campo; fruticultura primeiro, hortaliças depoisIndefinido pós-fruticultura
    Fermentação industrial escalávelBASF abriu planta em Ludwigshafen (2025); reduz custo de produção de metabólitos2025–2027
    Regulamentação Lei 15.070/2024Registro simplificado para metabólitos de baixo risco em curso2025–2026
    Resistência ao spinosad em tripsJá registrada internacionalmente; pressiona substituição por nova geraçãoPressão atual
    Combinações sinérgicasAfidopiropen + vespinhas para pulgões; spinosad + Orius para tripsEuropa: já ocorre; BR: 2027+
    IA na triagem de cepasAphea.Bio usa triagem computacional de milhares de cepas para identificar candidatos2025–2028
    Certificação orgânica para novos metabólitosRegulamentação em curso no BR para aceitação de metabólitos de baixo risco em orgânicos2026–2028

    A convergência de três fatores aponta para um mercado diferente até 2030: a resistência crescente ao Bt e ao spinosad em campo, o novo marco regulatório brasileiro que facilita o registro de metabólitos, e os investimentos de Bayer, BASF e FMC nessa classe de produtos.

    Para produtores que já adotam automação em suas estufas, vale registrar que sensores de umidade e temperatura integrados a alertas de pragas já permitem monitoramento antecipado de infestações. A combinação de detecção precoce com bioinseticidas de metabólitos microbianos de ação mais rápida representa o protocolo mais robusto de manejo integrado disponível para horticultura protegida.

    Guia prático para o horticultor

    Enquanto a próxima geração de metabólitos microbianos ainda está em desenvolvimento, o produtor de hortaliças tem opções reais disponíveis agora. Veja o protocolo recomendado por praga:

    • Trips: Spinosad (Tracer ou Spintor) é a opção de metabólito microbiano registrada no Brasil com maior eficácia comprovada. Aplique na face abaxial das folhas, no início da manhã ou ao entardecer, para minimizar impacto em polinizadores. Respeite as doses de bula por cultura.
    • Pulgões e ácaros: Abamectina (Vertimec) é o metabólito microbiano registrado com melhor histórico de eficácia para Myzus persicae e Tetranychus urticae em hortaliças. Rotacione com outros mecanismos de ação para retardar resistência.
    • Mosca-branca: Combine Beauveria bassiana (Naturalys ou BotaniGard) com abamectina em rotação. Para estufas com umidade relativa acima de 70%, Beauveria apresenta boa eficácia. Para ambientes mais secos, abamectina é mais confiável.

    Erros a evitar:

    • Não misture spinosad nem lipopeptídeos bacterianos com fungicidas cúpricos: o cobre inativa esses compostos por quelação.
    • Não espere morte imediata com afidopiropen (quando disponível): o mecanismo age sobre o comportamento alimentar, com morte ocorrendo em 2 a 5 dias.
    • Não armazene Bt nem Beauveria fora da cadeia de frio: spinosad e abamectina suportam temperatura ambiente, mas biológicos vivos não.
    • Não trate Bt e spinosad como equivalentes: Bt é organismo vivo que age em lagartas mastigadoras; spinosad é metabólito purificado que age em trips e dípteros.

    Para uma visão completa do manejo integrado de pragas em hidroponia, acesse o guia de pragas e doenças em hidroponia e cultivo protegido.

    Perguntas frequentes

    O que é um bioinseticida microbiano não-vivo e como ele difere do Bt?

    Um bioinseticida microbiano não-vivo contém moléculas (metabólitos) produzidas por microrganismos durante fermentação, mas o produto final não tem organismos vivos. O Bt (Bacillus thuringiensis) é uma bactéria viva com esporos e cristais de toxinas, o organismo inteiro precisa estar ativo para funcionar. Metabólitos isolados como spinosad são mais estáveis, têm shelf-life mais longo e não precisam de refrigeração.

    Spinosad é um bioinseticida não-vivo?

    Sim. Spinosad é produzido pela fermentação de Saccharopolyspora spinosa, mas o ingrediente ativo extraído (spinosinas A e D) é um composto purificado, sem organismo vivo na formulação final. É o exemplo mais bem-sucedido de metabólito microbiano inseticida e está disponível no Brasil, aceito em agricultura orgânica certificada.

    O produto da parceria Bayer-Aphea.Bio já está disponível para compra?

    Não. A parceria anunciada em 10 de junho de 2026 é de pesquisa e co-desenvolvimento. Nenhum produto foi registrado ou lançado comercialmente. A tecnologia está em fase de validação de campo e engajamento regulatório inicial, sem prazo de lançamento divulgado.

    Esses bioinseticidas funcionam em hidroponia?

    A plataforma de metabólitos microbianos é teoricamente compatível com sistemas hidropônicos fechados, diferente de fungos vivos (Beauveria, Metarhizium), que precisam de condições específicas para germinar. Metabólitos estáveis poderiam ser aplicados sem risco de contaminar a solução nutritiva. Contudo, nenhum produto de metabólito não-vivo está registrado especificamente para hidroponia no Brasil até julho de 2026.

    Por que o Bt não combate pulgões e mosca-branca?

    As toxinas Cry do Bt agem dissolvendo-se no intestino médio alcalino de lagartas mastigadoras. Pulgões e mosca-branca têm estilete que penetra diretamente no floema da planta e não ingerem material sólido. Seu intestino também tem pH diferente. As toxinas Cry simplesmente não chegam ao alvo, tornando o Bt categoricamente ineficaz contra esses insetos.

    Qual é o mecanismo de ação do afidopiropen contra pulgões?

    Afidopiropen modula canais TRPV (transient receptor potential vanilloid) no órgão cordotonal dos insetos, uma estrutura mecanorreceptora presente nas patas e antenas. A disrupção causa perda de coordenação motora, impossibilidade de alimentação e morte em 2 a 5 dias. É um mecanismo completamente diferente dos inseticidas químicos tradicionais e do Bt, sem resistência cruzada entre esses grupos.

    Metabólitos microbianos têm impacto em abelhas e inimigos naturais?

    Depende do composto. Spinosad tem impacto moderado em abelhas e deve ser aplicado fora do horário de polinização. Afidopiropen mostrou baixo impacto em inimigos naturais e abelhas nas doses de campo testadas, segundo Horikoshi et al. (2022). Lipopeptídeos de Bacillus velezensis também mostraram seletividade razoável em estudos iniciais. Em geral, metabólitos microbianos tendem a ter espectro mais seletivo que inseticidas sintéticos de amplo espectro.

    O mercado de bioinseticidas no Brasil está crescendo?

    Sim. Bioinseticidas representaram 35% do valor do mercado total de bioinsumos em 2025, aproximadamente R$ 2,17 bilhões. A área tratada cresceu 28% em 2025 e o MAPA registrou 162 novos bioinsumos naquele ano, recorde histórico. O setor total movimentou R$ 6,2 bilhões em 2025 (+15,2% a.a.) segundo a CropLife Brasil.

    Como armazenar corretamente spinosad e avermectinas?

    Por serem metabólitos isolados e não organismos vivos, spinosad e avermectinas não precisam de refrigeração obrigatória, mas devem ser mantidos em local fresco, seco e protegido da luz. Consulte a bula do produto específico. Essa é uma das principais vantagens frente a Bt e Beauveria, que exigem cadeia de frio para manter a viabilidade.

    Quando os novos bioinseticidas de metabólitos microbianos chegarão ao Brasil?

    Spinosad e avermectinas já estão disponíveis. Para afidopiropen (Inscalis®/BASF), registrado nos EUA, Índia e Austrália, o status de registro no MAPA não foi confirmado até julho de 2026. A plataforma Aphea.Bio+Bayer ainda está em validação de campo, sem prazo de lançamento comercial divulgado.

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