Agro

    Como Plantar Abobrinha em Casa e na Horta [2026]

    Guia completo de como plantar abobrinha em vaso ou canteiro: espaço, cultivares brasileiras, polinização manual, oídio e colheita precoce.

    Planta de abobrinha de moita vista de cima ocupando área larga em canteiro com folhas em roseta
    A abobrinha de moita ocupa área horizontal generosa: tutorar não economiza espaço nessa cultura
    Agro11 min de leitura

    A abobrinha é uma das hortaliças-fruto mais produtivas que existem para cultivo doméstico, mas também é uma das que mais decepciona quem planta sem saber duas coisas: ela ocupa muito espaço horizontal e depende de polinização para frutificar. Antes de comprar a semente, o teste é simples: você tem uma área plana com pelo menos 6 horas de sol e largura suficiente para uma planta que se abre como um leque? Se sim, siga em frente. Se a resposta for uma varanda estreita de 60 cm, existe cultura melhor para esse espaço.

    FatoNúmero
    Vaso mínimo20 L (ideal 30–40 L)
    Ciclo até a 1ª colheita40–60 dias (italiana)
    Frutos por planta10–20
    Sol direto necessário6–8 horas/dia
    Temperatura de germinação20–30 °C

    Espaço é o fator limitante: abobrinha não sobe, ela se espalha

    A abobrinha é uma cucurbitácea do gênero Cucurbita cultivada por seu fruto imaturo, e a característica que define o planejamento do cultivo é o hábito de crescimento: ela cresce para os lados, não para cima. Essa é a diferença prática mais importante em relação ao parente mais próximo já publicado aqui.

    Planta de abobrinha de moita vista de cima ocupando área larga em canteiro com folhas em roseta
    A abobrinha de moita ocupa área horizontal generosa: tutorar não economiza espaço nessa cultura

    No pepino, a planta é trepadeira: sobe em tutor, ocupa área mínima de chão e cabe em varanda apertada. Na abobrinha de moita, não existe esse truque. A planta forma uma roseta baixa e larga, com pecíolos longos e folhas grandes que se projetam horizontalmente. Tutorar não resolve, porque não há gavinha subindo, há folha se abrindo. Quem espera economizar espaço verticalizando vai frustrar-se.

    Segundo a Embrapa Cerrados (Circular Técnica 175, 2021), duas espécies dominam o cultivo brasileiro, e elas têm hábitos opostos:

    HábitoEspécie / grupoComportamentoEspaçamento típicoCabe em vaso?
    Moita (arbustivo)Cucurbita pepo, abobrinha italianaRoseta compacta, entrenós curtos, cresce em largura moderada0,7–1,0 m entre plantasSim, com vaso ≥ 20 L
    Rasteiro / trepadorCucurbita moschata, menina-brasileiraRamas longas correndo pelo chão, enraíza nos nós2,0–3,0 m × 2,0–3,0 mNão

    A leitura prática: em vaso e varanda, só cultivar de moita. As brasileiras (Menina Brasileira, Brasileirinha) exigem áreas de 2 a 3 metros em cada direção, o que é território de quintal, canteiro amplo ou pequena propriedade, nunca de floreira. Cultivares trepadeiras podem ser conduzidas em cerca, treliça ou estaca em "tipi" quando há estrutura, o que economiza área plantada, mas isso é solução de horta no chão.

    Para pequenos espaços de verdade, a resposta honesta é outra cultura ou outro sistema. Folhosas em horta vertical hidropônica rendem muito mais por metro quadrado do que uma abobrinha espremida.

    Cultivares de abobrinha no Brasil: qual escolher para cada situação

    O mercado brasileiro separa a abobrinha em dois grupos comerciais, segundo a classificação da CEAGESP: a italiana (verde-escura, cilíndrica, casca brilhante, 15–25 cm) e a brasileira (verde-clara com listras, formato pera, 20–30 cm).

    GrupoCultivarHábitoFrutoCiclo à 1ª colheitaEspaçamentoIndicação
    ItalianaCasertaMoitaVerde-clara manchada, cilíndrica40–50 dias0,7 × 1,0 mBrasil todo, a mais difundida
    ItalianaClarita (Sakata)MoitaVerde-clara brilhante, uniforme45–55 dias0,8 × 1,0 mSE/Sul, comercial
    ItalianaSamira (Topseed)MoitaVerde-escura cilíndrica45–55 dias0,8 × 1,0 mSE, cultivo intensivo
    ItalianaYasmimMoita precoceVerde-clara cilíndrica40–50 dias0,7 × 1,0 mCiclo curto, ano todo
    ItalianaMazourkaHíbrido de moitaVerde-escura uniforme45–55 dias0,8 × 1,0 mAlta produtividade
    BrasileiraMenina BrasileiraRasteiroPera, verde-clara listrada70–90 dias3,0 × 3,0 mQuintal, sequeiro
    BrasileiraBrasileirinha (Embrapa)TrepadorBicolor creme e verde70–90 dias2,0 × 2,0 mAgricultura familiar
    BrasileiraMinipaulistaTrepador compactoVerde-clara, frutos menores70–90 dias1,5 × 1,5 mMini-hortaliças
    VasoSuspiroMoita compactaVerde-escura, frutos médios50–60 dias1 planta / vaso 20 LVaranda, apartamento

    A Brasileirinha é cultivar da Embrapa Hortaliças, bicolor e voltada à agricultura familiar. Sementes das italianas se encontram nos catálogos de Isla, Topseed, Sakata, Feltrin e Agristar. Quem quer resultado previsível deve comprar semente de cultivar identificada: guardar semente de abobrinha comprada no mercado costuma dar planta imprevisível, porque a maioria do que se vende é híbrido F1.

    Plantio na horta: semeadura direta, sem exceção

    A regra que mais mata muda de abobrinha é ignorada em quase todo guia: a abobrinha não tolera transplante. A raiz é frágil e o distúrbio no torrão trava a planta ou a mata. Semeie direto no local definitivo. Se precisar antecipar, use copo biodegradável que vai inteiro para a terra, nunca bandeja plástica com arranque de torrão.

    O passo a passo no canteiro:

    1. Preparo do solo, revolver a 30 cm de profundidade. O solo precisa ser fofo, profundo, bem drenado e rico em matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 6,8. Incorpore cerca de 3 L de composto e 100 g de farinha de ossos por metro quadrado.
    2. Semeadura, cova de 2 a 3 cm de profundidade, com 2 a 3 sementes por cova.
    3. Espaçamento, 0,7 a 1,0 m entre plantas e 1,0 a 1,5 m entre linhas para as italianas de moita.
    4. Germinação, 5 a 7 dias na faixa de 20 a 30 °C.
    5. Desbaste, após 10 a 15 dias, mantenha apenas a muda mais vigorosa por cova.
    6. Cobertura morta, palha de capim ou casca de arroz sobre o solo. Além de reter umidade, mantém a folha e o fruto longe do barro.

    Em solo argiloso compactado, trabalhos da Embrapa sobre cultivo de base familiar da abobrinha de moita mostram boa resposta ao uso de cobertura morta e palhada.

    Calendário de plantio por região

    A abobrinha é cultura de clima quente. A germinação acontece entre 16 °C e 38 °C, com ótimo entre 20 e 30 °C, e geada mata a planta.

    RegiãoJanela recomendadaCuidado principal
    SulAgosto a marçoEvitar maio a julho: risco de geada
    SudesteAgosto a marçoFrio de junho/julho atrasa germinação
    Centro-OesteAno todoChuva torrencial favorece fungo
    Norte e NordesteAno todoExcesso de umidade e calor extremo

    Dados de zoneamento climático regional podem ser consultados no boletim do CIRAM/Epagri para Santa Catarina.

    Abobrinha em vaso: quando faz sentido e quando não faz

    Cultivar abobrinha em vaso é possível, mas é uma das aplicações mais exigentes da horticultura de varanda, porque a planta tem alta demanda hídrica, nutricional e radicular ao mesmo tempo. Enquanto uma alface ou um manjericão prosperam em 5 a 10 litros, a abobrinha pede no mínimo 20 litros, com 30 a 40 litros como faixa ideal.

    RecipienteVolumePlantasProdução esperada
    Vaso plástico padrão20 L1Moderada, 6–10 frutos
    Sacola de cultivo (grow bag)30 L1Boa, 10–15 frutos
    Floreira 60 × 30 × 30 cm40 L1Alta, 12–20 frutos
    Caixa de polipropileno50 L1Máxima em ambiente urbano

    Sempre uma planta por vaso. Substrato indicado: 2 partes de terra vegetal, 2 partes de composto orgânico e 1 parte de areia. Drenagem é inegociável, com camada de argila expandida e manta drenante no fundo, porque vaso sem furo apodrece raiz em poucos dias.

    Os cuidados que diferenciam a varanda do canteiro:

    • Sol direto de 6 a 8 horas. Varanda com tela ou vidro filtra demais e a planta vegeta sem frutificar. Varanda voltada para norte ou oeste tem melhor desempenho.
    • Adubação mais frequente. O substrato em vaso esgota rápido, então biofertilizante líquido semanal é o padrão.
    • Calor. Varanda envidraçada passa facilmente de 40 °C ao meio-dia no verão, o que pede sombrite de 50 %.
    • Polinização 100 % manual. Abelha raramente sobe a andar alto.

    Sendo honesto: se sua varanda não comporta um vaso de 30 litros com uma planta abrindo folhas grandes ao redor, não force. Escolha uma cultivar declaradamente compacta, como Suspiro, ou plante outra coisa. A alface e os microverdes entregam muito mais alimento por metro quadrado nesse cenário.

    Adubação e rega: potássio na hora certa, água nunca na folha

    A abobrinha é voraz. A adubação muda de perfil quando a planta sai da fase vegetativa e entra em floração: reduz-se o nitrogênio e aumenta-se o potássio, senão a planta produz folha em vez de fruto.

    Rega feita na base da planta de abobrinha sobre cobertura de palha sem molhar as folhas
    Regar no nível do solo e manter cobertura morta reduz a pressão de oídio e a frequência de irrigação
    FaseCanteiroVaso
    Plantio3–4 L de composto + 100 g de farinha de ossos por cova3 L de composto + 50 g de farinha de ossos no substrato
    15 e 30 dias30 g de NPK 10-10-10 por cova ou 1 L de composto em cobertura1 copo (~200 mL) de composto por vaso
    Floração30 g de NPK 04-14-08 ou cinza de madeira (50 g) + casca de banana picada1 colher de sopa de cinza de madeira + chá de casca de banana semanal
    FrutificaçãoReforço de K e Ca a cada 15 diasIgual, em dose reduzida

    Irrigação: uma planta adulta consome de 2 a 3 litros de água por dia no verão, e cerca de 1 litro em dias amenos. Regue pela manhã, sempre no nível do solo. Molhar a folhagem é o convite direto ao oídio e ao míldio. Cobertura morta reduz a frequência de rega praticamente à metade. O solo deve ficar úmido e nunca encharcado.

    Quem quer precisão pode monitorar umidade e condutividade com sensores, embora para uma planta em vaso o dedo no substrato resolva.

    Flor macho e flor fêmea: por que a abobrinha floresce e não vinga

    Este é o ponto que gera mais pânico em quem planta abobrinha pela primeira vez. A planta cobre-se de flores amarelas, todas caem, e o cultivador conclui que está doente. Não está.

    A abobrinha é monoica: a mesma planta produz flores masculinas e femininas separadas. E as masculinas aparecem primeiro, uma a duas semanas antes das femininas. Ou seja, na primeira onda de floração literalmente não existe flor feminina para ser fecundada, e aquelas flores cair é comportamento normal da espécie.

    Como distinguir:

    • Flor masculina: haste fina, longa e lisa, sem nenhum engrossamento na base da pétala. Aparecem em maior número.
    • Flor feminina: entre a haste e a pétala há uma abobrinha em miniatura, o ovário. É inconfundível: parece um fruto minúsculo já formado.

    Quando a flor feminina aparece e mesmo assim o fruto amarelece pela ponta, murcha e cai com 3 ou 4 cm, o diagnóstico é outro: falta de polinização. O ovário começa a se desenvolver, não recebe pólen suficiente e a planta aborta o fruto.

    Polinização manual passo a passo

    Sem abelha, não há fruto. Em varanda fechada, andar alto ou estufa, a polinização manual deixa de ser truque de entusiasta e vira etapa obrigatória do manejo.

    Polinização manual da abobrinha com flor masculina tocando o estigma da flor feminina com ovário
    A flor feminina traz o fruto embrionário atrás das pétalas e só fica receptiva nas primeiras horas da manhã

    O mecanismo aqui é diferente do de outras hortaliças-fruto autógamas. Em berinjela ou tomate, o pólen já está na flor certa e basta vibração para soltá-lo. Na abobrinha é preciso transportar pólen de uma flor para outra flor diferente, o que nenhum vento fraco de varanda faz sozinho.

    Janela crítica: a flor abre apenas pela manhã e dura um único dia. Polinize entre 6h e 10h. Depois disso a oportunidade daquela flor acabou.

    O procedimento, conforme descrito por Cardoso (2005), na Horticultura Brasileira:

    1. Identifique uma flor masculina recém-aberta, com pólen visível.
    2. Colha a flor e remova as pétalas, expondo o estame carregado de pólen.
    3. Esfregue suavemente o estame sobre o estigma no centro da flor feminina aberta.

    Como recomendação prática geral, à parte do procedimento descrito no estudo, uma única flor masculina costuma ser suficiente para polinizar até três flores femininas.

    O estudo de Cardoso mostrou que dobrar a quantidade de pólen aplicado aumentou em cerca de 29 % o número de frutos por planta, sem prejuízo à qualidade da semente. Ou seja, capricho na polinização se converte diretamente em colheita.

    Oídio: a doença que você vai encontrar, e como conviver com ela

    Se existe uma doença praticamente certa em cucurbitácea, é o oídio (Podosphaera xanthii). Aparece como um pó branco esbranquiçado sobre a face da folha, tipicamente da metade do ciclo em diante, começando pelas folhas mais velhas e sombreadas.

    O ponto tranquilizador: a planta convive com um nível baixo de oídio sem perder produção. O objetivo não é eliminar o fungo, é atrasar sua progressão até o fim do ciclo produtivo. O que funciona:

    • Prevenção: espaçamento respeitado (planta amontoada cria microclima úmido), circulação de ar e rega no solo, jamais na folhagem.
    • Reconhecimento precoce: inspecione as folhas baixeiras duas vezes por semana. Manchas circulares brancas pequenas são o estágio inicial.
    • Manejo: remoção das folhas mais atingidas, aplicação de bicarbonato de sódio a 5 g/L com óleo de neem, ou produtos à base de Bacillus subtilis registrados para horta orgânica.
    Praga/doençaSintomaControle orgânico
    Oídio (Podosphaera xanthii)Pó branco na folhaBicarbonato 5 g/L + neem; Bacillus subtilis
    Míldio (Pseudoperonospora cubensis)Manchas amarelas e felpa cinza no versoCalda bordalesa 1 %; reduzir umidade foliar
    Mosca-branca (Bemisia tabaci)Folha amarela, fumaginaBeauveria bassiana; armadilha amarela adesiva
    Broca-das-cucurbitáceas (Diaphania nitidalis)Furo no fruto, larva internaCatação manual; Bacillus thuringiensis
    Pulgões (Aphididae)Folha enrolada, secreção pegajosaSabão de potássio 1 %; joaninhas
    Vaquinha (Diabrotica speciosa)Folha perfuradaCalda de fumo; rotação de cultura
    Mosaico (vírus)Folha malhada e deformadaSem cura: arrancar a planta e controlar os vetores

    A mosca-branca merece atenção redobrada em cucurbitácea, não pelo dano direto, mas por ser vetora de viroses do complexo mosaico. Vírus não tem tratamento: a planta infectada deve ser arrancada e descartada, e o controle real é preventivo, sobre o inseto. Para o manejo integrado completo em ambiente protegido, consulte o guia de pragas e doenças em hidroponia e cultivo protegido.

    Colheita precoce: colher pequeno é o que faz a planta produzir mais

    Aqui está a lição mais contraintuitiva da cultura. A abobrinha se colhe imatura. O fruto grande e vistoso, aquele que dá orgulho na foto, é fruto passado do ponto: casca dura, polpa fibrosa e semente formada.

    E o efeito vai além da qualidade da mesa. Um fruto que amadurece e forma semente sinaliza à planta que a missão reprodutiva foi cumprida, e ela desacelera a emissão de novos frutos. Deixar uma abobrinha crescer demais custa vários frutos futuros.

    • Ponto ideal na italiana: 15 a 20 cm de comprimento, casca brilhante, ainda macia ao toque da unha.
    • Frequência: colher a cada 2 ou 3 dias durante o pico de produção.
    • Técnica: cortar com faca afiada deixando 2 a 3 cm de pedúnculo, nunca torcer ou arrancar.
    • Conservação: 7 a 10 dias sob refrigeração entre 10 e 12 °C. Abaixo de 7 °C o fruto escurece.

    Bônus gastronômico: a flor de abobrinha é produto comestível de alto valor, usada empanada ou recheada. Colher as flores masculinas excedentes não reduz a produção: como recomendação prática geral, uma masculina poliniza até três femininas, e a planta produz masculinas em excesso. Colher flor feminina, sim, custa um fruto.

    Produção concentrada: por que escalonar o plantio

    A abobrinha não é uma planta de produção perene como a hortelã ou a couve. Ela concentra a produção num período relativamente curto e depois declina.

    O ciclo total fica entre 60 e 80 dias, com a colheita começando aos 40 a 60 dias nas italianas e aos 70 a 90 dias nas brasileiras. O pico produtivo dura de 4 a 6 semanas, e nessa janela uma planta italiana entrega de 10 a 20 frutos em vaso, ou de 20 a 40 frutos em canteiro bem manejado. Para efeito de comparação, a Circular Técnica 175 da Embrapa registra produtividade média brasileira de 4,37 t/ha e classifica esse número como baixo frente ao potencial da cultura, atribuindo a diferença ao nível tecnológico adotado em parte das propriedades. Fontes técnicas correlatas indicam potencial na faixa de 12 a 15 t/ha em cultivo tecnificado, o que mostra o tamanho do salto que manejo bem feito proporciona, inclusive na escala doméstica.

    A consequência prática do planejamento: em vez de esperar que uma planta produza o ano todo, escalone. Semeie uma nova planta a cada 3 ou 4 semanas durante a janela climática da sua região. Assim, quando a primeira entrar em declínio, a segunda já estará em floração. Para uma família, duas plantas escalonadas costumam cobrir o consumo sem gerar excedente que estraga.

    Abobrinha em hidroponia e ambiente protegido

    A abobrinha pode ser cultivada em ambiente protegido, mas é preciso ser franco sobre o balanço. Ela é planta grande, de fruto pesado e alto consumo hídrico, o que a coloca na categoria das culturas de fruto que exigem sistema robusto, não canaleta de folhosa. Perfis de NFT foram dimensionados para alface e ervas, não para uma cucurbitácea de porte largo.

    O que muda dentro da estufa:

    • A polinização manual passa de recomendável a obrigatória. Não há abelha em ambiente fechado, e sem transporte de pólen não há um único fruto.
    • A pressão de oídio aumenta, porque a ventilação é menor e a umidade relativa maior. Ventilação forçada vira item de projeto.
    • A ocupação de área é penalizante. Cada metro quadrado de estufa tem custo, e a abobrinha ocupa muito espaço para o retorno que entrega comparada a culturas de maior valor por área.

    Para consumo doméstico, o cultivo em solo ou vaso ao ar livre é quase sempre a decisão mais racional. Ambiente protegido para abobrinha faz sentido sobretudo em contexto comercial de contra-estação, onde o preço compensa a ocupação, o que exige a análise de viabilidade econômica antes de investir.

    Cinco erros que fazem sua abobrinha fracassar

    1. Transplantar a muda. A raiz não perdoa. Semeadura direta, sempre.
    2. Economizar no vaso. Abaixo de 20 L a planta murcha todo dia e aborta fruto por estresse hídrico.
    3. Regar na folha. Água na folhagem é o principal acelerador de oídio e míldio.
    4. Plantar no frio. Abaixo de 16 °C a semente não germina e a geada mata a planta adulta.
    5. Esquecer a polinização manual em varanda. Sem abelha e sem pincel, a planta floresce lindamente e não entrega um fruto sequer.

    O mercado da abobrinha no Brasil

    Para dimensionar o contexto, vale saber que o mercado atacadista não trata a abobrinha como um produto só. O Guia CEAGESP separa abobrinha italiana e abobrinha brasileira em categorias comerciais distintas, com volumes e origens próprios, e essa divisão espelha exatamente a diferença de espécie e de hábito que orienta a escolha da cultivar na horta.

    Em 2024, a abobrinha italiana somou 34.410,79 toneladas no Entreposto Terminal de São Paulo, tendo São Paulo como principal origem, com 54,3 % do volume, seguido de Minas Gerais, com 41,7 %, e do Rio de Janeiro, com 1,9 %. Já a abobrinha brasileira movimentou cerca de 6,9 mil toneladas nos últimos doze meses, majoritariamente vinda de municípios paulistas, entre eles Mogi Guaçu, Capão Bonito e Piedade. Ou seja, a italiana é o produto de maior giro no atacado, e é também a que melhor se adapta a vaso e canteiro doméstico.

    O preço médio da italiana no varejo ficou na faixa de R$ 4 a R$ 8 por quilo em 2025, com variação forte entre pontos de venda, conforme o monitoramento do Hortifruti Brasil, do CEPEA/ESALQ. Dados oficiais de produção nacional estão no painel do IBGE sobre abobrinha.

    Uma tendência que interessa ao cultivo doméstico é a das mini-abobrinhas, ou baby zucchini, colhidas com 8 a 12 cm e destinadas ao food service, com preço bem acima do fruto convencional. Colher pequeno, portanto, não é só técnica agronômica, é também posicionamento de mercado.

    Perguntas frequentes

    Qual o melhor mês para plantar abobrinha no Brasil?

    No Sudeste e no Sul, plante de agosto a março, evitando os meses de frio intenso e risco de geada. No Centro-Oeste, Norte e Nordeste é possível plantar o ano todo, com atenção ao excesso de chuvas entre janeiro e março. A temperatura ideal de germinação está entre 20 e 30 °C, segundo a Embrapa (Circular Técnica 175, 2021).

    Posso plantar abobrinha em apartamento?

    Sim, desde que a varanda receba de 6 a 8 horas de sol direto por dia, você use vaso de no mínimo 20 litros (idealmente 30 a 40 litros) e esteja disposto a fazer polinização manual todas as manhãs, já que abelhas raramente sobem a andares altos. Prefira cultivares de moita compacta como Caserta, Yasmim ou Suspiro.

    Por que minha abobrinha floresce mas não dá frutos?

    Há duas causas. Se as flores que caem têm haste fina e lisa, são masculinas e sempre aparecem primeiro: isso é normal e não indica problema. Se a flor tem uma abobrinha em miniatura atrás e mesmo assim o fruto amarelece e cai pequeno, o problema é falta de polinização, e a solução é polinizar manualmente entre 6h e 10h.

    Quantas sementes coloco por cova?

    Coloque de 2 a 3 sementes por cova, a 2 ou 3 cm de profundidade. Após a germinação, que leva de 5 a 7 dias, faça o desbaste deixando apenas a muda mais vigorosa. Nunca semeie em bandeja para transplantar depois, porque a abobrinha não tolera perturbação da raiz.

    Quanto tempo a abobrinha leva para colher?

    As cultivares italianas como Caserta, Clarita e Samira iniciam a colheita entre 40 e 60 dias após a semeadura. As brasileiras, como Menina Brasileira e Brasileirinha, levam de 70 a 90 dias. O pico de produção dura de 4 a 6 semanas, com 10 a 20 frutos por planta em vaso.

    Qual o tamanho ideal do vaso para abobrinha?

    O mínimo funcional é 20 litros, e o ideal fica entre 30 e 40 litros para máxima produtividade. Use apenas uma planta por vaso, substrato composto por 2 partes de terra vegetal, 2 partes de composto orgânico e 1 parte de areia, e garanta drenagem com argila expandida no fundo.

    Como prevenir o oídio na abobrinha?

    Regue sempre no solo e nunca nas folhas, respeite o espaçamento para garantir circulação de ar, e inspecione as folhas baixeiras duas vezes por semana. No manejo, remova as folhas mais atingidas e aplique bicarbonato de sódio a 5 g/L com óleo de neem, ou produtos à base de Bacillus subtilis aprovados para horta orgânica.

    Quantos litros de água a abobrinha precisa por dia?

    Uma planta adulta consome de 2 a 3 litros por dia no verão e cerca de 1 litro em dias amenos. Regue pela manhã, no nível do solo, e use cobertura morta para reduzir a frequência de rega quase à metade. O solo deve permanecer úmido, nunca encharcado, porque o encharcamento apodrece as raízes.

    Posso comer a flor da abobrinha?

    Sim, e é um produto gastronômico de valor, servido empanado ou recheado. Colha preferencialmente as flores masculinas excedentes, identificadas pela haste fina sem ovário, porque a planta as produz em número muito maior do que o necessário para a polinização. Colher flores femininas, ao contrário, elimina um fruto.

    Posso plantar abobrinha junto com outras hortaliças?

    Sim. Combinam bem milho, feijão, capuchinha, manjericão e calêndula, esta última útil para afastar pragas. Evite consorciar com batata e com outras cucurbitáceas como abóbora, pepino e melão, pela competição por nutrientes e pelo compartilhamento de doenças. O consórcio milpa, com milho, feijão e abóbora, é técnica ancestral comprovada.

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