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    Como Acabar com Pulgão na Horta: Guia Definitivo [2026]

    Como acabar com pulgão na horta: identifique as espécies, use receitas caseiras com dosagem exata e controle biológico com joaninhas nativas.

    Colônia de pulgões na face inferior de folha de couve segurada pela mão em horta caseira
    A inspeção correta é sempre pela face inferior das folhas mais novas
    Agro11 min de leitura

    Pulgão na horta não se resolve com uma única pulverização, e quem promete "acabar de vez" com um borrifador está vendendo ilusão. O inseto se reproduz por partenogênese, ou seja, uma fêmea gera filhotes vivos sem precisar de macho, à razão de 5 a 10 ninfas por dia. Em temperatura entre 18 e 25 °C, a colônia dobra de tamanho a cada 2 a 4 dias. Isso significa que dez pulgões numa folha de couve na segunda-feira viram uma centena na sexta.

    O caminho que funciona tem três frentes rodando juntas: pulverização de contato semanal com sabão de coco a 1% ou óleo de neem a 0,5%, um cinturão de plantas companheiras que sustenta os predadores naturais, e monitoramento duas vezes por semana virando as folhas novas. A terceira frente é a que quase ninguém faz e é a que decide o resultado, porque o dano maior do pulgão não é a seiva que ele suga: é o vírus que ele injeta.

    Fato-chaveNúmero
    Ciclo de ovo/ninfa a adulto reprodutivo7 a 10 dias
    Ninfas geradas por fêmea, sem macho5 a 10 por dia
    Viroses transmitidas por Myzus persicaemais de 100

    Este guia é monográfico sobre o pulgão. Para a estratégia geral de manejo integrado a céu aberto, veja o guia de MIP em hortaliças; para dose e modo de preparo detalhado de neem, Bt e outros insumos, o manual de controle orgânico cobre o assunto. Aqui o foco é uma praga só, do reconhecimento ao ciclo seguinte.

    Conheça seu inimigo: as espécies de pulgão da horta brasileira

    Pulgão é o nome popular dos insetos sugadores de seiva da família Aphididae (ordem Hemiptera), com corpo mole, formato de pera, 1,5 a 3,0 mm de comprimento, antenas longas e aparelho bucal picador-sugador. Segundo a Embrapa, em clima quente eles se reproduzem por partenogênese vivípara, e só passam à reprodução sexuada com postura de ovos em regiões de inverno rigoroso. Na maior parte do Brasil, portanto, não existe pausa reprodutiva: a colônia é uma linha contínua de fêmeas clonando fêmeas.

    Colônia de pulgões na face inferior de folha de couve segurada pela mão em horta caseira
    A inspeção correta é sempre pela face inferior das folhas mais novas

    O erro que mantém a infestação viva é tratar "pulgão" como uma coisa só. Na horta brasileira são pelo menos quatro espécies-praga relevantes, com hospedeiro preferido e aparência distintos. Saber qual atacou muda a decisão prática, principalmente porque a espécie da couve tem cera e a calda escorre dela.

    Nome científicoNome comumOnde atacaCor e aspecto
    Myzus persicaePulgão-verdeAlface, couve, repolho, espinafre, rúcula, pimentão, batata, tomateVerde-claro a rosado, 1,5 a 2,5 mm
    Aphis gossypiiPulgão-do-algodoeiroPepino, abobrinha, melão, pimentão, abóbora, quiaboVerde-amarelado a quase preto
    Brevicoryne brassicaePulgão-da-couve, cinzentoCouve, repolho, brócolis, couve-flor, mostardaVerde-cinza coberto de cera branca
    Lipaphis pseudobrassicaePulgão-da-couve-amareloCouve, mostarda, rúcula, agriãoVerde-amarelado, sem cera

    Myzus persicae é o mais polífago do mundo e já apresenta resistência documentada a vários inseticidas, o que reforça o argumento contra o químico de prateleira em horta caseira. Brevicoryne brassicae é especialista em brássicas e forma massas densas e empoeiradas na couve, aspecto que muita gente confunde com sujeira ou fungo. O registro de Lipaphis pseudobrassicae em couve no Brasil está documentado na Neotropical Entomology.

    Como diferenciar de outras sugadoras: cochonilha-farinhenta tem cera mais espessa e praticamente não se move; borrife água e observe. Pulgão se dispersa, cochonilha fica onde está. Mosca-branca levanta voo em nuvem quando você balança a planta, o pulgão não. Tripes deixa raspagem prateada na folha em vez de melado pegajoso.

    Formas aladas: o momento em que a infestação vira epidemia

    Dentro da colônia, quase todos os indivíduos são ápteros, sem asa. Quando a densidade populacional sobe, a planta hospedeira começa a definhar ou a qualidade da seiva cai, parte das ninfas se desenvolve em adultos alados. Essa é a virada: o alado sai do seu canteiro de couve e coloniza o canteiro de alface a 3 metros dali, depois o do vizinho.

    Do ponto de vista prático, a presença de aladas é o sinal de alarme mais importante que existe no manejo do pulgão. Enquanto a colônia é de ápteros, o problema está contido em poucas plantas e uma pulverização localizada resolve. Quando aparecem aladas, o problema já é da horta inteira e você precisa tratar todos os canteiros, não só o infestado.

    Por isso as primeiras aladas devem ser retiradas manualmente, junto com a folha, e descartadas longe da horta, nunca na composteira aberta ao lado do canteiro.

    Por que o pulgão é mais perigoso do que parece: as viroses

    Aqui está o dado que muda a urgência inteira do controle. O dano direto do pulgão, folha enrolada, clorose, planta atrofiada, é secundário. O dano principal é ele ser vetor de vírus de planta.

    Segundo a Embrapa Hortaliças, um pulgão que se alimenta por apenas 15 a 60 segundos em uma planta doente já adquire viroses não-persistentes, do tipo Potyvirus, e passa a transmiti-las por dias. Nas viroses persistentes, o processo exige 15 a 60 minutos de alimentação e um período de latência de 24 a 48 horas, mas depois o inseto permanece vetor pelo resto da vida.

    "O pulgão é, antes de tudo, um vetor de vírus. Controlar a praga é controlar a epidemia."

    A consequência é dura e contraintuitiva: inseticida isolado não protege contra virose. Mesmo um produto que mate o pulgão em minutos age depois dos 15 a 60 segundos que ele levou para inocular o vírus. Não existe cura para virose em planta: a planta infectada segue infectada até ser arrancada.

    ViroseSiglaCulturas afetadas
    Mosaico-da-alfaceLMVAlface
    Mosaico-do-pepinoCMVPepino, abobrinha, pimentão, tomate
    Mosaico-do-Y-da-batataPVYBatata, tomate, pimentão
    Amarelecimento das cucurbitáceasn/dMelão, abóbora, pepino

    Os sintomas aparecem como mosaico (manchas verde-claro e verde-escuro alternadas na folha), enrolamento, nanismo e amarelecimento generalizado, quadro que a Embrapa Hortaliças documenta para as viroses transmitidas por pulgão. Se você cultiva alface, pepino ou pimentão, a tolerância a pulgão deve ser próxima de zero, e a barreira física vale mais que o pulverizador.

    A fumagina: o fungo preto que vem junto

    O pulgão excreta honeydew, o melado açucarado que sobra da seiva que ele filtra. Esse melado cobre a folha e serve de substrato para fungos saprofíticos, que formam uma crosta preta chamada fumagina.

    A fumagina não infecta a planta. Ela nem penetra o tecido. O problema é físico: a camada preta bloqueia a luz que chegaria ao mesofilo, reduzindo a fotossíntese, e em hortaliça folhosa ela inutiliza comercialmente a folha, porque ninguém compra couve preta.

    Isso importa no diagnóstico por dois motivos. Primeiro, a fumagina é um sinal retroativo: quando você a vê, a colônia já está ali há pelo menos uma ou duas semanas. Segundo, ela não some com fungicida. Some com o controle do pulgão e com lavagem das folhas, porque sem melado novo a crosta se degrada e desprende.

    As formigas subindo pelo caule são parte do mesmo sistema. Elas se alimentam do melado e, em troca, defendem ativamente a colônia de pulgões, afugentando joaninhas e vespas parasitoides. Enquanto a trilha de formigas estiver ativa, o controle biológico não funciona. Barreira física na base do caule ou isca formicida faz parte do manejo do pulgão, não é assunto separado.

    Limiar de ação: os três níveis de infestação

    Nem toda presença de pulgão exige pulverização. Tratar aos primeiros cinco indivíduos desperdiça insumo e, se você usar produto de amplo espectro, elimina os predadores que fariam o trabalho de graça.

    Horticultor virando folha de alface com lupa para monitorar pulgão na horta caseira
    Vire cinco folhas novas por canteiro, duas vezes por semana
    NívelDensidadeO que você vêAção
    1, Incipientemenos de 10 por folhaColônias pequenas na face inferior das folhas novas, sem sintoma visívelJato d'água dirigido, catação, monitorar a cada 3 dias
    2, Moderado10 a 50 por folhaFolhas enroladas, brilho pegajoso, início de fumagina, formigasSabão de coco 1% ou neem 0,5%, repetir a cada 5 a 7 dias
    3, Gravemais de 50 por folha, com aladasPlanta atrofiada, deformação severa, aladas dispersandoDescartar plantas-fonte, tratar toda a horta, considerar bioinsumo e liberação de inimigos naturais

    Em hortaliça vetorial de virose (alface, pepino, pimentão, tomate), desloque o limiar para baixo: agir já no nível 1 se justifica, porque o custo de uma virose instalada é a perda total da planta.

    Diagnóstico em 60 segundos

    Vire 5 folhas novas por canteiro, sempre as mais jovens, porque o pulgão coloniza tecido tenro. Olhe a face inferior. Conte os aglomerados. Procure brilho pegajoso e trilha de formigas subindo pelo caule. Faça isso duas vezes por semana, de preferência no mesmo dia da semana, para ter série comparável. Uma lupa de 10× de R$ 20 resolve a identificação da espécie.

    Se quiser automatizar a leitura de temperatura e umidade, que antecipam os picos populacionais, o guia de sensores na agricultura cobre a escolha do hardware.

    O que fazer na infestação ativa: escalonamento em cinco degraus

    A ordem importa. Comece pelo degrau mais baixo que resolva o seu nível e só suba se em 7 dias a contagem não cair.

    Degrau 1, Jato d'água e catação. Mangueira com bico regulável direcionada à face inferior das folhas derruba boa parte da colônia, e pulgão derrubado dificilmente reencontra a planta. Funciona no nível 1 e como preparação antes de qualquer pulverização, porque reduz a população que o produto precisa atingir. Em folhosa tenra, regule a pressão para não rasgar a folha.

    Degrau 2, Sabão de coco a 1%. Uma colher de sopa de sabão de coco neutro ralado dissolvido em 1 litro de água morna. O mecanismo é físico: o surfactante rompe a cutícula cerosa do inseto de corpo mole e ele morre por dessecação. Por ser contato puro, só mata o que a gota molhar, então a pulverização precisa ser dirigida de baixo para cima, encharcando a face inferior. Repita a cada 5 a 7 dias, sempre no fim da tarde ou no início da manhã. Sob sol forte, o sabão queima folha.

    Degrau 3, Óleo de neem a 0,5%. Cinco mL de óleo de neem mais 2 mL de sabão neutro como emulsificante, completando 1 litro. Misture o sabão ao neem antes de adicionar a água. Age por contato e por ingestão, com efeito regulador de crescimento sobre as ninfas. Para Brevicoryne brassicae na couve, aumente o adesivo, porque a cera do inseto e a cera da própria folha de couve repelem a calda. Mesma restrição de sol. Dose, carência e demais insumos estão detalhados no manual de controle orgânico de pragas.

    Degrau 4, Descarte de planta-fonte. No nível 3, arrancar as duas ou três plantas mais infestadas costuma custar menos que tratar a horta inteira duas vezes. Ensaque e descarte longe; não deixe o material no canteiro nem em composteira aberta ao lado.

    Degrau 5, Bioinsumo registrado. Fungos entomopatogênicos, principalmente Beauveria bassiana. Segundo o Boletim de Pesquisa 134/2016 da Embrapa Hortaliças, cepas selecionadas alcançaram 80 a 90% de mortalidade em concentração de 5×10⁵ conídios/mL. Aplique à noite ou em dia nublado, porque o conídio é sensível a UV, e prefira períodos de umidade alta. Confira o registro para a sua cultura na consulta aberta do AGROFIT antes de comprar.

    Sobre calda de fumo: é eficaz, mas a nicotina é restrita pela IN MAPA 46/2011 em produção orgânica certificada, exige EPI no preparo e respeita carência de 7 dias. Em horta caseira de consumo próprio ela existe como recurso, mas neem cumpre o papel com risco menor ao aplicador.

    O que não usar em hipótese alguma: água sanitária, que queima a folha e danifica a raiz, e álcool puro, que desidrata o tecido vegetal. Álcool a 50% só em ornamental e com algodão localizado, nunca pulverizado em hortaliça de consumo.

    O exército invisível: inimigos naturais do pulgão

    Este é o único mecanismo que impede o pulgão de voltar. Predador e parasitoide trabalham 24 horas por dia, de graça, e não geram resistência.

    Joaninha vermelha predando colônia de pulgões sobre folha verde em horta orgânica
    A joaninha nativa Cycloneda sanguinea é o predador mais eficiente contra o pulgão
    Inimigo naturalGrupoO que se sabe
    Cycloneda sanguinea (joaninha vermelha)CoccinellidaeReduziu 93,5% da população de A. gossypii em ensaio no algodoeiro (Acta Scientiarum Agronomy, Maringá, 2004)
    Chrysoperla externa (crisopídeo)ChrysopidaeLarva predadora vorácia de pulgões; em ensaio com liberação programada, mostrou controle expressivo quando a razão predador-presa foi respeitada
    Sirfídeos (Toxomerus spp.)SyrphidaeLarva predadora vorácia; o adulto poliniza
    Diaeretiella rapaeBraconidaeVespa parasitoide associada a pulgões de brássicas, entre eles B. brassicae
    Aphidius colemaniBraconidaeComercializado no Brasil pela Koppert (Aphipar)
    Lysiphlebus testaceipesBraconidaeNativo, ataca A. gossypii

    O dado da joaninha vem do estudo de capacidade predatória de Cycloneda sanguinea alimentada com Aphis gossypii, publicado na Acta Scientiarum Agronomy (Maringá, 2004), que também registra o consumo de 279 pulgões apenas no terceiro instar larval.

    Sobre o crisopídeo, vale entender o que a pesquisa mede de fato. O estudo de relação predador-presa de Chrysoperla externa publicado na Neotropical Entomology testou razões de liberação (1:5, 1:10, 1:25 e 1:50) contra o pulgão-verde-dos-cereais (Schizaphis graminum) em sorgo, combinadas com resistência da própria variedade, e chegou a 82,1% de eficiência de controle na razão 1:10 em genótipo resistente. Ou seja, é um resultado de liberação em cultura de campo, não uma taxa de consumo por larva em pulgão de horta. A leitura útil para você é outra: a eficácia do crisopídeo depende de haver predador suficiente por presa, o que significa agir cedo, quando a colônia ainda é pequena.

    A vespa Diaeretiella rapae é descrita pela Cornell CALS como parasitoide associado a pulgões de brássicas, incluindo o pulgão-da-couve. A ficha traz números de um levantamento no estado de Washington, nos Estados Unidos, onde 92,5% dos pulgões já parasitados coletados tinham essa espécie como agente, o que descreve a composição entre parasitoides naquela região e não uma taxa de controle populacional no Brasil. Para o cenário brasileiro, o levantamento de referência sobre parasitoides de afídeos é o de Stary, Sampaio & Bueno (2007), na Revista Brasileira de Entomologia.

    Como reconhecer que o parasitismo está acontecendo: procure as múmias, pulgões inchados, endurecidos e de cor bege ou dourada, colados na folha, às vezes com um furo circular de saída. Múmia significa que a vespa está trabalhando. Se você encontrar múmias, não pulverize nada: você estaria matando o exército que já está vencendo.

    Para atrair e reter joaninhas, sirfídeos e crisopídeos, o adulto precisa de néctar e pólen, não só de presa. Bordadura de coentro, endro, funcho, alyssum e cosmos alimenta o adulto e o mantém na área entre um pico de pulgão e outro. Sem essa fonte floral, o predador chega tarde e vai embora cedo.

    Em cultivo protegido e em estufa familiar, a liberação de Aphidius colemani funciona de forma preventiva, na ordem de 2 a 5 indivíduos por metro quadrado, e é comercializada por empresas como a Koppert Brasil, sediada em Piracicaba. O setor de bioinsumos no Brasil cresce rápido: segundo a Embrapa, cerca de 100 produtos biológicos foram registrados nos últimos dois anos.

    Prevenção no próximo ciclo: por que o pulgão volta

    O pulgão volta porque o alado chega de fora, porque a horta oferece tecido tenro contínuo e porque, na maioria das hortas, não há predador residente esperando por ele. A prevenção ataca esses três pontos.

    Plantas companheiras. A capuchinha (Tropaeolum majus) age como planta-armadilha: o pulgão a prefere e concentra-se nela, poupando a couve e a alface ao redor. Plante na bordadura e, quando a capuchinha estiver tomada, arranque e descarte longe, levando a população junto. Coentro, endro e funcho alimentam os predadores adultos. Alho e cebolinha repelem pelos compostos organossulfurados. Cravo-de-defunto (Tagetes) funciona como repelente na bordadura geral.

    Barreiras físicas. Manta agryl de 17 a 25 g/m² sobre canteiros recém-transplantados nas três primeiras semanas impede a chegada do alado justamente na fase mais vulnerável, e é a medida mais eficaz contra virose porque bloqueia o vetor antes da inoculação. Mulch refletivo prateado no solo desorienta o alado em voo, recomendação registrada pelo UC IPM. Placas adesivas amarelas a 50 cm do solo capturam alados e servem principalmente como sistema de alerta precoce.

    Manejo cultural. Não plante couve depois de couve: a rotação de família botânica quebra a continuidade de hospedeiro do especialista. Evite excesso de nitrogênio, porque adubação nitrogenada pesada produz tecido tenro e rico em aminoácidos livres, exatamente o que acelera a reprodução do pulgão. Elimine plantas daninhas hospedeiras nas bordas, principalmente crucíferas espontâneas como a mostarda-selvagem, que servem de reservatório entre um ciclo e outro.

    Em sistemas fechados, a lógica muda: o sistema NFT elimina o solo como reservatório, mas o alado entra por qualquer abertura de estufa sem tela, e a pulverização molha a placa e o canal. Ali, tela antiafídeo na abertura e liberação de parasitoides valem mais que qualquer calda. Quem cultiva microverdes em casa tem a vantagem do ciclo de 7 a 14 dias, curto demais para o pulgão construir colônia, desde que a bandeja fique protegida.

    Erros comuns que mantêm a infestação viva

    • Aplicar químico de amplo espectro na primeira aparição. Elimina joaninha, crisopídeo e vespa parasitoide junto com o pulgão. Como o pulgão se reproduz muito mais rápido que os predadores, a população rebota em duas semanas, maior que antes e sem freio natural.
    • Pulverizar por cima da folha. O pulgão está embaixo. Calda que só molha a face superior não encosta na colônia.
    • Pulverizar sob sol forte. Neem e sabão queimam a folha. Aplique no fim da tarde.
    • Ignorar as formigas. Trilha ativa significa colônia protegida e controle biológico neutralizado.
    • Não retirar as primeiras aladas. Uma alada ignorada hoje é um canteiro novo infestado na semana que vem.
    • Confundir múmia com pulgão vivo e pulverizar em cima. Você mata a vespa que estava resolvendo o problema.
    • Parar na primeira aplicação. Ovos e ninfas protegidas escapam. Sem repetição a cada 5 a 7 dias por 2 a 3 ciclos, a colônia se reconstitui.

    Perguntas frequentes

    Como acabar com pulgão na horta de forma rápida e segura?

    Para infestação leve, um jato d'água forte na face inferior das folhas seguido de pulverização de sabão de coco neutro a 1% (uma colher de sopa por litro) a cada 5 dias resolve. Em nível médio, use óleo de neem a 0,5% (5 mL/L) ou pulverize Beauveria bassiana à noite. Em nível grave, descarte as plantas-fonte e libere joaninhas ou parasitoides como Aphidius colemani.

    Que aparência tem o pulgão e como saber se é mesmo pulgão?

    É um inseto de 1,5 a 3 mm, corpo mole em formato de pera, antenas longas, geralmente verde mas também preto, cinza empoeirado ou amarelo. Vive em colônias na face inferior das folhas novas, com formigas subindo pelo caule e brilho açucarado sobre as folhas. Diferente da cochonilha, ele se dispersa quando você borrifa água.

    O que mata pulgão na hora?

    O efeito mais rápido vem do sabão de coco ou detergente neutro diluídos a 1%, que dissolvem a cutícula cerosa do inseto em minutos. Mas o efeito é só de contato: mata o que a gota molhar e não deixa residual. Por isso a aplicação precisa ser dirigida à face inferior e repetida a cada 5 a 7 dias.

    Como acabar com pulgão na couve, alface e rúcula?

    Na couve e no brócolis, atacados por Brevicoryne brassicae, use neem com mais adesivo, porque a cera do inseto e da folha repelem a calda comum. Na alface, atacada por Myzus persicae, sabão a 1% com maior frequência costuma bastar. Em ambos os casos, plante capuchinha na bordadura como planta-armadilha.

    Joaninha realmente come pulgão e quantos por dia?

    Sim. Em ensaio no algodoeiro publicado pela Acta Scientiarum Agronomy em 2004, a joaninha nativa Cycloneda sanguinea reduziu 93,5% da população de Aphis gossypii, e o adulto segue predando ao longo de todo o ciclo.

    Posso usar água sanitária ou álcool puro contra pulgão?

    Não. Água sanitária queima a folha e danifica a raiz, e o álcool puro desidrata o tecido vegetal. Álcool a 50% diluído em água só deve ser usado em plantas ornamentais, aplicado com algodão de forma localizada, nunca pulverizado em hortaliça destinada ao consumo.

    Quanto tempo demora para acabar com a infestação?

    Em nível 1, de 7 a 14 dias com aplicações a cada 5 dias. Em nível 2, de 3 a 4 semanas, com 3 a 4 aplicações. Em nível 3, normalmente sai mais barato descartar as plantas mais atacadas e replantar sob manta agryl do que insistir no tratamento.

    O pulgão transmite vírus para a planta?

    Sim, e esse é o dano principal. Myzus persicae sozinho transmite mais de 100 viroses, entre elas o mosaico-da-alface (LMV), o mosaico-do-pepino (CMV) e o mosaico-do-Y-da-batata (PVY). Como bastam 15 a 60 segundos de alimentação para a transmissão, o inseticida sempre chega depois do vírus, o que torna a barreira física a defesa mais confiável.

    Calda de fumo é segura para horta orgânica?

    A calda de fumo, extraída de Nicotiana tabacum, é eficaz, mas a nicotina é restrita pela IN MAPA 46/2011 em sistemas orgânicos certificados e exige EPI no preparo. Em horta caseira não certificada, respeite carência de 7 dias antes da colheita. O óleo de neem cumpre função semelhante com risco menor ao aplicador.

    As formigas no caule estão trazendo o pulgão?

    Indiretamente, sim. As formigas se alimentam do melado açucarado excretado pelo pulgão e, em troca, defendem a colônia, afugentando joaninhas e vespas parasitoides. Enquanto a trilha estiver ativa, o controle biológico não funciona, então barreira na base do caule ou isca faz parte do manejo do pulgão.

    O que são os pulgões inchados e dourados grudados na folha?

    São múmias: pulgões parasitados por vespas como Diaeretiella rapae ou Aphidius colemani, cujas larvas se desenvolveram dentro deles. Um furo circular indica que a vespa adulta já emergiu. Encontrar múmias é um bom sinal e significa que você deve suspender a pulverização para não matar o parasitoide.

    Posso plantar capuchinha junto da alface para evitar pulgão?

    Sim. A capuchinha (Tropaeolum majus) funciona como planta-armadilha: o pulgão a prefere e se concentra nela, poupando a alface e a couve ao redor. Plante na bordadura do canteiro e, quando estiver muito infestada, arranque e descarte longe da horta, removendo a população junto.

    Faz sentido usar inseticida químico em horta caseira?

    Geralmente não. Produtos de amplo espectro matam joaninhas e parasitoides junto com a praga e criam um ciclo de dependência, além de o Myzus persicae já apresentar resistência documentada a vários princípios ativos. Em 10 a 30 m², controle biológico e receitas caseiras resolvem a grande maioria dos casos.

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